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O inimigo que aparece com o calor: besouro do tabaco e como proteger seus charutos

Conteúdo editorial destinado a maiores de 18 anos. Umidade certa não basta. Com temperatura alta, um pequeno besouro pode atacar a coleção de dentro para fora, e quando os sinais aparecem o estrago já começou.

Por , criador da leonforte

Charuto com furo do besouro do tabaco na capa e pó de tabaco na gaveta de cedro
Charuto com furo do besouro do tabaco na capa e pó de tabaco na gaveta de cedro

Quem conversa com colecionadores experientes cedo ou tarde ouve falar do besouro do tabaco. Ele é pequeno, discreto e silencioso, e pode transformar charutos especiais em peças perfuradas sem que ninguém perceba por semanas. A boa notícia é que a prevenção depende de um fator que o apreciador consegue controlar: a temperatura.

Quem é o besouro do tabaco

O nome científico é Lasioderma serricorne. O adulto mede cerca de 2 a 3 milímetros, tem cor marrom-avermelhada e corpo arredondado. O dano maior não é causado por ele, e sim pelas larvas: os ovos podem estar presentes nas folhas de tabaco, invisíveis, e eclodir quando encontram as condições certas. As larvas se alimentam do tabaco e abrem caminho por dentro do charuto até sair pela capa.

Por isso muitas fábricas submetem os charutos a processos de congelamento ou fumigação antes da venda. Mesmo assim, nenhum procedimento elimina totalmente o risco, e a guarda continua sendo decisiva.

Por que o calor ativa o problema

Os ovos do besouro se desenvolvem com mais facilidade quando a temperatura sobe acima de 22 °C a 24 °C, especialmente combinada com umidade elevada. Em dias quentes, em ambientes sem climatização ou com o umidor exposto ao sol da tarde, o interior pode atingir essa faixa sem que o apreciador perceba.

É por isso que a conservação ideal fala sempre de dois números: umidade entre 65% e 75% e temperatura amena e estável, em geral entre 16 °C e 21 °C. Umidade alta com calor é justamente a combinação que favorece tanto o besouro quanto o mofo.

Como reconhecer os sinais

  • Furos pequenos e redondos, do tamanho de uma cabeça de alfinete, na capa do charuto.
  • Pó fino de tabaco no fundo das gavetas ou sobre as caixas.
  • Pequenos túneis visíveis quando o charuto é cortado.
  • Em casos avançados, besouros adultos dentro do umidor.

Não confunda com a camada branca que às vezes aparece na capa. Esse é outro assunto, explicado em plume ou mofo: como diferenciar.

O que fazer se encontrar furos

  1. Retire imediatamente os charutos afetados e coloque-os em um saco hermético, longe do restante da coleção.
  2. Examine todos os outros charutos, um a um, em busca de furos ou pó.
  3. Limpe as gavetas e o interior do umidor com um pano seco ou um pincel macio, sem produtos químicos, que podem impregnar o cedro.
  4. Charutos com furos e túneis costumam ter a queima e a puxada comprometidas. Avalie se vale guardá-los.
  5. Para os charutos aparentemente saudáveis que estavam por perto, muitos apreciadores usam o congelamento como prevenção.

O congelamento preventivo

O procedimento mais citado entre colecionadores é feito em etapas, para evitar choque térmico e condensação: os charutos vão em saco hermético para a geladeira por cerca de 24 a 48 horas, depois para o freezer por cerca de 3 dias, voltam para a geladeira por mais 24 a 48 horas e só então retornam, ainda dentro do saco, à temperatura ambiente antes de voltar ao umidor.

O congelamento é uma prática difundida entre apreciadores, mas exige cuidado: retirar charutos frios direto para o ambiente pode causar condensação e rachaduras na capa.

Prevenção no dia a dia

  • Instale o umidor em ambiente climatizado ou naturalmente fresco, longe de janelas com sol direto, lareiras e eletrodomésticos que aquecem.
  • Acompanhe a temperatura do ambiente nas estações quentes e no verão.
  • Evite umidade acima de 75%, que soma o risco do besouro ao do mofo.
  • Observe os charutos novos antes de juntá-los à coleção, principalmente os de procedência desconhecida.
  • Revise a coleção de tempos em tempos. Um charuto parado por meses também precisa ser visto.

Vale revisar também os erros mais comuns na conservação de charutos, como deixar o umidor perto de fontes de calor.

Conclusão

O besouro do tabaco é raro em coleções bem cuidadas, mas aparece justamente quando calor e umidade se encontram. Controlar a umidade é metade do trabalho. A outra metade é escolher o lugar certo para o umidor e acompanhar a temperatura.

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